universo

É incrível como é fácil perder a noção do tempo. Coisas que eu pensava que não tinham mais de um ano e já fazem dois, crianças que crescem sem aviso, uma década já completa, aquele amigo que casou, e os seus anos de carreira que já vão acumulando e você não esta mais ingressando no mercado de trabalho…

Enfim é tanto tempo, é tão pouco tempo.

Ontem pensava nas pessoas. Pessoas que passam com o tempo e outras que se agarram a ele e não soltam. Não no sentido literal, de gente que não deixa o tempo passar. Nem pra entrar no mérito de quem não quer crescer nem mudar. Num sentido mais figurado mesmo, relacionado a minha vida.

Quando se deixa uma parte/fase da sua vida pra trás, toma seu tempo, se distancia, vai viajar, tudo toma perspectiva. O que você esta vivendo, o que você viveu, o que esta por vir nos seus planos.

E é fácil visualizar o tangente, as paisagens, as aventuras, tudo que é excitante que você esta buscando nessa aventura. Mas é preciso olhar pra trás as vezes. Na verdade nem requer tanto esforço. As coisas vão surgindo. Situações que te fazem lembrar de alguém ou de um momento. E você para e pensa.

Pensa no quão difícil era deixar ele pra traz, esquecer, desapegar. Pensar no quanto você apreciava aquela amiga, mas que nem te escreve pra saber se você esta viva. Pensar no quanto faz falta um rosto familiar. Naqueles amigos que sabem quem você é e nem precisam estar perto pra saber o que você esta sentindo. Pode ate ser alguém com quem você não fala faz anos, mas que a conexão é tão forte que é só vocês se verem que todo esse tempo não significa nada.

Me faz imaginar nas diferentes relações que tenho com as pessoas, o quanto eu dependo dela e o quanto a outra pessoa depende. Que é impossível calcular isso, mas que é necessário ponderar.

É fácil falar enquanto se está filosofando. Claro que eu não aplico nada disso na pratica. Não vou ser hipócrita. Eu confesso.

Eu não mergulho em amores rasos. Eu me entrego. Eu me fodo. Não importa.

Vou viver assim intensamente até a última gota, mesmo que a primeira nem tenha existido.

Porque depois eu posso olhar pra trás, naquele filme que a gente vê da vida, ou num devaneio diurno esperando o farol abrir, e vou pensar: nossa, eu realmente amei aquela pessoa. Agora eu posso ver que foi em vão. Mas que delicia é sofrer por amor! Que idiota eu fui! Mas é tão bom sentir alguma coisa ao invés de sentir nada.

Sabe aquela frase do Guimarães Rosa que diz que “o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Nunca fez tanto sentido quanto agora.

Eu não gosto quando ela esfria, nem quando aperta, muito menos quando desinquieta. Mas até pra mim, que gosto de uma encrenca, é importante um momento de paz para poder ver que todos esses enlaces, que às vezes são nós, são a trama que a vida vai criando.

E num momento de decepção, de tristeza ou de desespero eu tento pensar: lá na frente eu vou ver o porque, depois tudo vai fazer sentido (ou não).

Mas como eu disse antes: é muito mais fácil falar. 99% do tempo eu nem faço isso. Eu só sento choro, ou rio, e espero passar.

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He is the Road

roady

It’s not only my obsession for lonely travelers but this constant seek for home that led me associate with his wandering soul but also the fact that he was one of the most fucked up ones. He didn’t write, he didn’t have an ideal, he was just trying to find his own peace of mind.

I remember watching that movie, many years before I met him; that was when I acknowledged my passion for mad people- the mad ones who burn in spirit, and I hadn’t even heard of the book. I recognize in him that same one. Not until some time later I came to reckon as well the same boy who was trapped into the wild of his own paradox and died in the nature next to that old bus.

He was a traveler. He was a loner. He was just a boy. Every muscle of his body twitching to live and go.

I could see through those eyes, behind the sloppy hair and long beard the flame between thorn and confused seeking for a new adventure.

The Road is calling him. He is the Road. I capitalize it for it’s his own god.

And even though I couldn’t see his eyes in that evening, where we had our deepest conversation I could hear it crackling and I could feel it’s heat towards my back, where he was standing and telling me the real him. We were in the kitchen, heavy summer upon us and wouldn’t it be stupid to stay in the hottest place of the house for a last talk? An unpredictable moment. He was massaging my back and hearing to my inquires. I didn’t even wanted an answer, I just wanted an excuse to disguise the fact that I would miss him forever. I knew it wasn’t the last time I’d see him but I also knew that even though we were at the same place and time, he was long gone.

And so there he was, telling me a little truth, a little lie, what he was.

It was a mix of anxiety, sharp and blurred mind, all at the same time. Looking for answers, or just silence. Trying to forget who he was and to figure out who he wanted to be. Either that restless blood shot eyes guy, on fire at a party. Driven for drugs, for sex, or whatever would drive him. Or that lazy idyllic afternoon, at the desert beach, drinking wine and eating grapes, just like pirates. Oh what a bittersweet oxymoron.

The fact that he couldn’t stand the rain, but he loved it. He just didn’t want to be trapped by it or anything. Those wet shoes never drying. Because he wouldn’t stop. It didn’t matter anyway.

He would sing me songs late at night, when I was already asleep on the couch drunk after a long party, just so I could hear it in my dreams. It was the song of his soul. The roaming buffalo.

He would cook me breakfast, and dinner, but never lunch. There was no time for that. “I can’t always eat when I’m hungry” he said, “I’d eat all day”.

He would leave goodbye messages, but always come back. Even in my dreams, where he would come and rescue me. And I loved it. And I always missed him.

Sometimes I missed him even when he was sitting next to me. Lost in his thoughts. Because I knew he had to go, and it hurt me that he didn’t, just because he said that he would stay. And so he did. But I had to let him go. I couldn’t stand having him around because I knew that he needed the Road, and the Road needed him.

I hated that country, but I loved it because of him.

This is a story about him, that’s why I overuse this pronoun. Hence I overuse him and the many different ways that I can possibly feel that he’s not here or that he’s not there. He’s everywhere but he doesn’t belong anywhere or to nobody, not to me, not to himself. Not yet.

Constellations

star

Of all the things I remember from you

your starry body is the only thing

that still makes me fall.

The spotted shoulders that supported your chin

when you were thoughtful.

The freckles on your cheeks

that you hated so much.

The constellatioin of dots in your belly and

those little scars you were embarrassed of.

I’ve already forgotten your smell,

the way you blush when you’re angry

and the sound of your voice.

I don’t even remember

the annoying names you used to call me.

I dont have your phone number anymore.

Your starry eyes don’t hunt my dreams,

no longer.

I may be a lier.

But I could make a perfect map

of the stars under your skin.

As fronhas, os lençóis e o amor

couple

Estavam vendendo a antiga casa. O local do início de seu amor, 30 anos atrás.

Era pequena, mas havia marcas da convivência por todos os lados.

O batente da porta com as marcas dos centímetros de cada idade dos filhos.

O canto lascado na parede da cozinha, do lado da geladeira, onde todos os dias João bata o dedão do pé e blasfemava quando chegava em casa.

A sombra do sofá na parede, no mesmo canto por tantos anos.

O quarto já havia mudado diversas vezes junto com as tentativas de apimentar o amor e com as brigas semanais, definitivas.

A cama era a mesma, muito boa e custou uma fortuna na época, a mãe dizia.

Os lençóis e as fronhas, a maioria ainda presente de casamento, já não combinavam há muito tempo. Pares perdidos nos anos entre uma lavagem e outra, um mancha e outra, um lado da cama mais gasto que o outro.

O amor também.

Alice

Brooke Shaden

Brooke Shaden

E então a vida perde o sentido. Fica cinza e fluida, como um rio de descontentamento pelo qual você flutua e não sente. Andar é diferente. Você move os pés, sente a força física que faz para sair do lugar e, se andar demais, sentirá o cansaço arrebatando seu corpo mortal.

Flutuar não é assim. Você anda, anda, anda, e anda mas nada ao seu redor faz sentido. Você se vê embriagado naquela fumaça, sonolento pelo passar dos dias. Nada o acorda.

Então, como numa reviravolta de filme, o instante faz tudo mudar.

E você se vê fora daquele estado lisérgico entre a fantasia e a realidade. Não caminha nem flutua, mas sente que agora precisa correr.

E o mundo, por si só, te acorda. Te dá um chacoalhão e com um tapa na bunda o coloca pra correr.

E você corre.

E o tempo te obriga a diminuir o ritmo. Embora esteja correndo, você não é rápido o suficiente para competir com o que ficou para trás, tudo que está à frente está fora do seu alcance.

Então você diminui.

E aprende a ser paciente, porque para cada passo que avança, dois lá na frente já estão vindo ao seu encontro, mas você não pode correr mais.

E a vida te mostra quem são seus verdadeiros heróis. E você os idolatra. Não porque salvaram o mundo, nem tiveram a chance, mas porque você sabe que nunca vai chegar aos pés deles. E é isso que você quer.

Você luta.

Assim, sem relógio nem caminho de casa, você já nem sabe mais de onde veio e o que era antes. Só sabe que não é mais o mesmo.

Falta um pedaço em você, e é isso que o move, lá na frente, tentando reconquistá-lo.

Você espia lá trás, pra ter certeza de que não perdeu nenhum momento importante, alguma dica ou evidência do que poderá vir. Mas você sabe que, lá no fundo, é você mesmo que está contando essa história. E pode se convencer e desconvencer tantas vezes que não faz mais diferença.

Você se perdeu no passado mas não importa. Quando acordar, terá o futuro que lhe prometeram.

A morte

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A morte é um assunto que tem me perseguido ultimamente. De todos os jeitos, conceitos, e modos, sua presença é inegável. Então falarei sobre ela.

Mas não para ser lúgubre ou trágica, apenas num sentido meramente (não) existencial.

Ela vem, ela é o fim, mas quem foi que decidiu que o gênero da morte é feminino?

Eu confesso que se a morte é uma mulher, eu, pelo menos, não sou ela. Até porque nunca matei ninguém, pelo menos que eu me lembre, e até onde eu saiba, sou mortal como todos os outros.

Tão mortal que, hoje escovando os dentes e olhando para os mil frascos inúteis em cima da minha pia, refletindo sobre as peripécias entediantes do meu dia rotineiro me dei conta de algo. Pra quê tantos frascos se eu nem uso tudo?

Quando eu morrer quero que tudo que é meu suma, que a minha existência material seja apagada do mapa e que meus rastros mortais sejam deletados do espaço físico que outrora ocuparam. Sabe por quê? Pelos milhões de outros frascos e cadernos e pincéis e almofadas e bibelôs e chinelos estourados e botões perdidos e papéis de recado tão inúteis quanto aqueles da pia do banheiro. Porque quando alguém se vai, tudo fica. E tudo faz lembrar, mas ao mesmo tempo nada traz de volta.

Eu exijo que me façam presente em suas memórias e não em meus velhos vestidos. Que a minha escova de dentes seja jogada fora e que meus lençóis façam uma cama pelada feliz.

Empacotar, doar, encaixotar, tanto ocupando espaço e todos os espaços vazios. Então que assim seja, PLIM, e como num passe de mágica que tudo vá para o cosmos infinito e não se torne souvenir do que já nem é mais.

Há apenas um porém. Por favor, poupem a maquiagem importada!!!

A vida é assim

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Porque a vida é assim.

E na resposta mais clichê e conformista do mundo encontra-se uma verdade.

Pessoas vem pessoas vão e só algumas, bem poucas, ficam.

Foi assim que respondi meu pai quando ele me perguntou com quem eu ainda tinha contato da turma da escola.

“Tenho todos no Facebook, pai, mas não faço questão de falar com quase ninguém.”

E ao ser questionada o por quê, não soube responder, a não ser com essa evasão. Porque, porque, porque não me fizeram falta, porque só pensam nos namorados(as), porque ficaram (ou já eram) arrogantes demais, porque a distancia os levou para longe demais, porque sim.

Não é algo que me dói. Já doeu. Hoje eu me conformo.

Existem pessoas, que mesmo sem tempo pra te ver, fazem questão de te encontrar uma vez ao ano. Nem que seja só uma carona do seu trabalho até em casa. Aqueles minutos preciosos no trânsito, e se os faróis vermelhos cooperarem, viram mais do que suficiente para te fazer perceber o quanto você gosta daquele que se contentou apenas em ter você no banco do lado. Melhor do que aquelas que esperam o próximo casamento, ou uma festa de arromba, ou até mesmo, o nascimento do filho, para terem uma desculpa para se reunirem.

Que seja no trânsito, uma cervejinha no fim do dia, um cartão postal, uma corridinha no mercado, até mesmo um abraço no portão. A gente sabe quem valorizar antes mesmo do convite recusado.